{
  "@context": "https://schema.org",
  "@type": "NewsArticle",
  "datePublished": "2026-04-08T06:05:00Z",
  "description": "Novo Plano Estratégico para Cuidados Paliativos criticado por retrocesso, ausência de Comissão Nacional, falta de metas e responsáveis; profissionais sentem-se desamparados; desigualdades regionais e falta de recursos persistem.",
  "articleBody": "Cuidados paliativos em Portugal: um plano sem rumo - Expresso\nLikely publishing date: 2026-04-08\n\nCuidados paliativos em Portugal: um plano sem rumo\n\nMédico de Família, especialista em cuidados paliativos e membro da região Sul da Ordem dos Médicos\n\nSem uma Comissão Nacional que coordene, oriente e defenda os cuidados paliativos, cada equipa está entregue a si mesma, dependente da boa vontade das direções locais e sujeita a assimetrias incompreensíveis\n\nO Ministério da Saúde publicou recentemente o Plano Estratégico para os Cuidados Paliativos 2025-2026, aprovado pela ministra Ana Paula Martins. Seria motivo de celebração se não fosse um pormenor crucial: há quase um ano que Portugal está sem Comissão Nacional de Cuidados Paliativos. O resultado é um documento que, na prática, representa um retrocesso face ao trabalho desenvolvido nos anos anteriores.A comparação entre o plano agora apresentado e o anterior, referente ao biénio 2023-2024, é reveladora.O plano de 2023-2024, elaborado por uma Comissão Nacional ativa, tinha 35 páginas de conteúdo operacional, com planos de ação detalhados, responsáveis identificados, cronogramas definidos e metas mensuráveis. O documento atual, com 22 páginas, limita-se a enunciar intenções genéricas, sem concretização prática.Como médico de família e alguém que trabalha diariamente com cuidados paliativos, constato que os profissionais da área se sentem desamparados. Sem uma Comissão Nacional que coordene, oriente e defenda os cuidados paliativos, cada equipa está entregue a si mesma, dependente da boa vontade das direções locais e sujeita a assimetrias incompreensíveis.Os números do próprio plano governamental são esclarecedores: no final de 2024, das 37 instituições que responderam ao inquérito da Direção Executiva do SNS, apenas três reportaram a constituição efetiva de um Serviço Integrado de Cuidados Paliativos. Ou seja, a aposta estratégica de integração nas Unidades Locais de Saúde não surtiu os efeitos desejados. E a resposta da tutela a este falhanço? Um plano ainda mais vago e genérico.A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos não esconde a crítica. Como referiu publicamente, o documento apresenta um \"atraso significativo\" e \"falta de metas concretas\". Mais grave ainda é a ausência de responsáveis identificados para cada objetivo. Quem vai garantir que as equipas têm os recursos humanos adequados? Quem vai monitorizar a qualidade dos cuidados? Quem vai assegurar que os 1,5 milhões de portugueses sem médico de família têm acesso a cuidados paliativos quando deles necessitarem?O plano anterior tinha respostas para estas questões. Definia com precisão a formação mínima exigida aos profissionais, estabelecia dotações de recursos humanos por tipo de equipa, apresentava indicadores de qualidade mensuráveis e identificava responsáveis concretos para cada ação. O plano atual limita-se a generalidades sobre \"promover a integração\", \"melhorar a acessibilidade\" e \"garantir a qualidade\" – palavras bonitas que não se traduzem em ação concreta.A realidade no terreno é dura. Há equipas sem recursos humanos suficientes, tempos de espera incompatíveis com a urgência das necessidades paliativas, assimetrias regionais gritantes e profissionais exaustos. O plano anterior reconhecia estes problemas e propunha soluções específicas: grupos de trabalho para adaptação dos sistemas informáticos, critérios claros de referenciação, indicadores de qualidade a implementar, formação obrigatória para todos os profissionais do SNS.O que mudou para justificar este recuo? A resposta é simples: falta de vontade política. Sem uma Comissão Nacional nomeada, sem orçamento dedicado, sem responsáveis identificados, os cuidados paliativos ficam relegados para segundo plano. E isto numa altura em que Portugal é o país da União Europeia com maior número de doenças crónicas acima dos 65 anos e com menor número de anos de vida saudável. Ou seja, precisamente quando mais precisamos de cuidados paliativos.A solução não passa por documentos genéricos aprovados em gabinetes ministeriais. Passa por investigação séria sobre as necessidades reais de cada região, por conhecimento aprofundado das assimetrias existentes, por planos concretos com metas, prazos e responsáveis. Passa por nomear urgentemente uma Comissão Nacional com profissionais experientes, dar-lhe autonomia e recursos, e exigir resultados mensuráveis.Os portugueses com doenças avançadas e limitantes da vida merecem mais do que intenções.Merecem um plano estratégico verdadeiramente estratégico, com rumo definido e compromisso político. Merecem equipas bem-dotadas, profissionais formados e cuidados de qualidade em todo o território nacional, não apenas onde há boa vontade local.É urgente que a tutela reconheça este erro, nomeie uma Comissão Nacional de Cuidados Paliativos e construa, com os profissionais do terreno, um plano que seja verdadeiramente operacional. Caso contrário, continuaremos a assistir ao agravamento das desigualdades e ao sofrimento evitável de milhares de portugueses e suas famílias.\n\nTem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail:clubeexpresso@expresso.impresa.pt\n\nFaça login e junte-se ao debate\n\nInsira o código presente na Revista E para se juntar ao debate\n\nPoderão os nossos tractores voar?\n\nAlemanha, Rússia, Israel. Não há expansionismos bons. Nem os bíblicos\n\nUma greve com causa, com propósito e com urgência\n\nSucesso no combate aos fogos pequenos está na origem dos grandes incêndios em Portugal, diz a OCDE\n\nA morte está no contrato, e algumas joias duram mais do que qualquer pessoa\n\nOperação Marquês: Sócrates não respondeu a carta de advogado oficioso, mas Luís Esteves não vai pedir escusa\n\nIncêndio destrói restaurante mexicano de Ljubomir Stanisic em Lisboa\n\nPedro Abrunhosa faz apelo após bater com o carro por “aselhice”: “Não fiquei com dados para o seguro. Se alguém souber de quem se trata...”\n\nSupremo dos EUA anula retroativamente condenação de Steve Bannon após apoio da administração Trump\n\nTrump anuncia suspensão de ataques ao Irão por duas semanas\n\nPSD propõe Pedro Duarte para o Conselho de Estado em lista com o Chega, que inclui Ventura e Pacheco Amorim\n\nRosalía e a namorada, Loli Bahia, vistas a passear junto à Estação do Rossio, em Lisboa\n\nAgir: “Se nós pusermos um miúdo no 1º ano com acesso a toda a matéria até ao 12º e tirarmos os professores, ele vai sair de lá burro”\n\nLei na Alemanha dá que falar: homens vão ter de pedir autorização para estadias prolongadas no estrangeiro\n\nFuncionário de supermercado despedido após impedir furto de ovos de Páscoa\n\nEUA e Irão acordam cessar-fogo de duas semanas, negociações arrancam na sexta-feira no Paquistão\n\nSIS: 40 Anos de Segredos\n\n“Quando cheguei ao SIS havia um computador ligado à Internet em todo o serviço. Era uma pobreza franciscana em vários aspetos”\n\nIncêndio de grandes dimensões destrói restaurante de Ljubomir Stanisic\n\nCalendário de matrículas para próximo ano letivo já está publicado: conheça aqui todas as datas\n\nChuva, vento, poeiras e frio: saiba como vai estar o tempo nos próximos dias\n\nÉ preciso entregar IRS de pessoa que morreu?\n\nOpiniãoCuidados paliativos em Portugal: um plano sem rumoJoão Dias Ferreira\n\nOpiniãoPoderão os nossos tractores voar?Joaquim Varela do Nascimento\n\nOpiniãoAlemanha, Rússia, Israel. Não há expansionismos bons. Nem os bíblicosDaniel Oliveira\n\nOpiniãoUma greve com causa, com propósito e com urgênciaPaulo Lona\n\nSociedadeSucesso no combate aos fogos pequenos está na origem dos grandes incêndios em Portugal, diz a OCDEAmadeu Araújo\n\nFisgaA morte está no contrato, e algumas joias duram mais do que qualquer pessoaJoão Pacheco\n\nSociedadeOperação Marquês: Sócrates não respondeu a carta de advogado oficioso, mas Luís Esteves não vai pedir escusaRui Gustavo\n\nRestaurantes e GastronomiaIncêndio destrói restaurante mexicano de Ljubomir Stanisic em Lisboa\n\nBlitzPedro Abrunhosa faz apelo após bater com o carro por “aselhice”: “Não fiquei com dados para o seguro. Se alguém souber de quem se trata...”\n\nEstados UnidosSupremo dos EUA anula retroativamente condenação de Steve Bannon após apoio da administração Trump\n\nConflito no Médio OrienteTrump anuncia suspensão de ataques ao Irão por duas semanas\n\nParlamentoPSD propõe Pedro Duarte para o Conselho de Estado em lista com o Chega, que inclui Ventura e Pacheco Amorim\n\nBlitzRosalía e a namorada, Loli Bahia, vistas a passear junto à Estação do Rossio, em Lisboa\n\nBlitzAgir: “Se nós pusermos um miúdo no 1º ano com acesso a toda a matéria até ao 12º e tirarmos os professores, ele vai sair de lá burro”\n\nMundoLei na Alemanha dá que falar: homens vão ter de pedir autorização para estadias prolongadas no estrangeiro\n\nMundoFuncionário de supermercado despedido após impedir furto de ovos de Páscoa\n\nAtaques IrãoEUA e Irão acordam cessar-fogo de duas semanas, negociações arrancam na sexta-feira no Paquistão\n\nSIS: 40 Anos de Segredos“Quando cheguei ao SIS havia um computador ligado à Internet em todo o serviço. Era uma pobreza franciscana em vários aspetos”\n\nPaísIncêndio de grandes dimensões destrói restaurante de Ljubomir Stanisic\n\nEducaçãoCalendário de matrículas para próximo ano letivo já está publicado: conheça aqui todas as datas\n\nMeteorologiaChuva, vento, poeiras e frio: saiba como vai estar o tempo nos próximos dias\n\nSIC VerificaÉ preciso entregar IRS de pessoa que morreu?",
  "url": "https://expresso.pt/opiniao/2026-04-08-cuidados-paliativos-em-portugal-um-plano-sem-rumo-6498d3ec?utm_source=expresso&utm_medium=root&utm_campaign=WEB&utm_content=/opiniao/2026-04-08-cuidados-paliativos-em-portugal-um-plano-sem-rumo-6498d3ec",
  "about": [
    {
      "name": "healthcare policy",
      "identifier": "20000479",
      "sameAs": "https://cv.iptc.org/newscodes/mediatopic/20000479"
    },
    {
      "name": "public health",
      "identifier": "20001358",
      "sameAs": "https://cv.iptc.org/newscodes/mediatopic/20001358"
    },
    {
      "name": "health care provider",
      "identifier": "20000278",
      "sameAs": "https://cv.iptc.org/newscodes/mediatopic/20000278"
    }
  ],
  "spatialCoverage": [
    {
      "name": "Germany"
    },
    {
      "name": "Portugal"
    },
    {
      "name": "Russia"
    },
    {
      "name": "Iran"
    },
    {
      "name": "Pakistan"
    },
    {
      "name": "Israel"
    },
    {
      "name": "United States"
    }
  ],
  "mainEntityOfPage": "https://newssite.skimmr.ai/articles/2026/04/08/expresso-pt/188485db/",
  "publisher": {
    "@type": "Organization",
    "name": "skimmr",
    "url": "https://skimmr.ai"
  },
  "isAccessibleForFree": true
}