Governo espanhol propõe constitucionalizar direito ao aborto como resposta a movimentos regressivos; alteração depende de três quintos do parlamento; debate envolve unidades públicas/privadas e resistência do PP.


Governo espanhol propõe incluir direito ao aborto na Constituição, “face às dinâmicas regressivas que estão a tentar ganhar espaço” Likely publishing date: 2026-04-08

Governo espanhol propõe incluir direito ao aborto na Constituição, “face às dinâmicas regressivas que estão a tentar ganhar espaço”

O objetivo é proteger o direito à IVG nos serviços públicos de saúde em Espanha, onde a saúde é tutelada pelos governos regionais, e “reforçar a obrigação de garantir o ser exercício e condições sanitárias apropriadas em todo o território nacional”, disse Elma Saiz, ministra porta-voz do Governo

O Governo de Espanha aprovou esta terça-feira (7) uma proposta, que agora terá de ser votada no Parlamento, para incluir o direito das mulheres à interrupção voluntária da gravidez (IVG) na Constituição.

A proposta do Governo prevê a alteração do artigo 43.º da Constituição, relativo ao direito à saúde, com a introdução de um novo ponto: “Os poderes públicos garantirão o exercício do direito das mulheres à interrupção voluntária da gravidez em condições de igualdade real e efetiva, com quantas prestações e serviços forem necessários”.

Esta alteração à Constituição precisa dos votos favoráveis de três quintos dos deputados do parlamento para ser aprovada.

O objetivo é proteger o direito à IVG nos serviços públicos de saúde em Espanha, onde a saúde é tutelada pelos governos regionais, e “reforçar a obrigação de garantir o ser exercício e condições sanitárias apropriadas em todo o território nacional”, disse Elma Saiz, ministra porta-voz do Governo, numa conferência de imprensa em Madrid.

Elma Saiz defendeu ser necessário proteger o direito ao aborto “face às dinâmicas regressivas que estão a tentar ganhar espaço”.

“Não está em risco a liberdade das mulheres, mas sim o exercício real e efetivo em todo o território nacional”, sublinhou, por seu turno, a ministra da Igualdade, Ana Redondo.

Segundo a ministra, 79% das IVG em Espanha são feitas em unidades privadas de saúde e só 20% nos serviços públicos.

Ana Redondo sublinhou que em Espanha “uma imensa maioria” defende a IVG e que por isso está confiante no aval do parlamento à proposta do Governo, nomeadamente, por parte do Partido Popular (PP, direita), que lidera a oposição e tem o maior grupo de deputados, sendo determinante para a aprovação ou rejeição desta alteração constitucional.

“Falaremos com o PP e com as diferentes comunidades autónomas [governos regionais] e procuraremos maior consenso possível”, afirmou, embora reconhecendo que o processo no parlamento “apresenta-se complexo”.

Sánchez anunciou a 3 de outubro que o Governo levaria ao parlamento “uma proposta para constitucionalizar o direito à interrupção voluntária da gravidez”.

PP aprovou em Madrid a referência obrigatória a uma síndrome não confirmada pela Ciência

O anúncio surgiu depois de o PP ter aprovado uma proposta apresentada na assembleia municipal de Madrid pelo Vox, de extrema-direita, que estabelecia que na capital espanhola os profissionais de saúde têm de informar as mulheres que solicitam a IVG de um alegado “síndrome pós-aborto”, que poderia levar ao consumo de drogas e álcool a pensamentos suicidas, assim como a um “aumento de cancros no aparelho reprodutor feminino”.

Este alegado “síndrome pós-aborto” não existe e não está validado pela ciência, como reconheceu posteriormente o presidente da câmara, José Luis Martínez-Almeida, garantindo que os profissionais de saúde não serão obrigados a referi-lo às mulheres que pretendem abortar.

O texto do Vox, aprovado pelo PP, dizia ainda quea IVG é “um grande negócio para a ideologia que o apoia e promove: o feminismo”.

Também a presidente do governo regional de Madrid, Isabel Díaz Ayuso (PP), disse na altura que o executivo autonómico não iria elaborar a lista de médicos objetores de consciência no caso da IVG, como exige a legislação espanhola, e aqueles que não concordam que “vão para outro lado abortar”.

A governante disse também que há em Espanha “um número atroz” de interrupções, num país “em que faltam crianças”, apontando que está em causa “um fracasso como sociedade”.

A direção nacional do PP, liderada por Alberto Núñez Feijóo, demarcou-se das declarações da líder do partido em Madrid, mas numa primeira reação ao anúncio de Sánchez rejeitou a possibilidade de apoiar a inclusão do direito à IVG na Constituição, o que inviabilizaria a sua aprovação.

A atual lei do aborto em Espanha é de 2010 e estabelece o acesso gratuito à IVG e a pedido da mulher até às 14 semanas de gestação, admitindo-se 22 semanas ou mais por motivos de saúde da mulher ou do feto.

Era um “não assunto” na Hungria, agora é alvo político em vários países: que direitos têm as pessoas transgénero na Europa?

Constituição celebra 50 anos sob divisão: jovens dos partidos entre “modernização” e “tentação revisionista”

Miguel Morgado: “O que aconteceu na manifestação contra o aborto foi um crime grave. Se fosse numa manifestação LGBT também seria descrito como um ‘incidente’?”

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail:clubeexpresso@expresso.impresa.pt

Faça login e junte-se ao debate

Insira o código presente na Revista E para se juntar ao debate

As cruzadas de Pedro Sánchez: do “não à guerra” à redução de impostos, passando pelo combate ao ódio na internet

Ángel Luis de la Calle

Espanha fecha espaço aéreo e proíbe uso de bases militares a aeronaves americanas envolvidas na guerra

Madrid atenta, mas não inquieta, com ameaça de Trump de levar bases militares de Espanha para Marrocos

Restaurantes: um Boémio saboroso esconde-se em Algés

Google reforça resposta do Gemini em saúde mental após caso de suicídio nos EUA

Fechar o Estreito de Ormuz foi fácil. Porque é que só o Irão consegue reabri-lo, mesmo com a trégua anunciada?

Incêndio destrói restaurante mexicano de Ljubomir Stanisic em Lisboa

Pedro Abrunhosa faz apelo após bater com o carro por “aselhice”: “Não fiquei com dados para o seguro. Se alguém souber de quem se trata…”

Trump anuncia suspensão de ataques ao Irão por duas semanas

Supremo dos EUA anula retroativamente condenação de Steve Bannon após apoio da administração Trump

Israel continua a atacar o Líbano, líderes mundiais pedem “paz sustentável”

Rosalía e a namorada, Loli Bahia, vistas a passear junto à Estação do Rossio, em Lisboa

PSD propõe Pedro Duarte para o Conselho de Estado em lista com o Chega, que inclui Ventura e Pacheco Amorim

EUA e Irão acordam cessar-fogo de duas semanas, negociações arrancam na sexta-feira no Paquistão

Quanto ganham os astronautas da histórica missão Artemis II e será que compensa o risco que correm?

Lei na Alemanha dá que falar: homens vão ter de pedir autorização para estadias prolongadas no estrangeiro

SIS: 40 Anos de Segredos

“Quando cheguei ao SIS havia um computador ligado à Internet em todo o serviço. Era uma pobreza franciscana em vários aspetos”

Funcionário de supermercado despedido após impedir furto de ovos de Páscoa

Incêndio de grandes dimensões destrói restaurante de Ljubomir Stanisic

Calendário de matrículas para próximo ano letivo já está publicado: conheça aqui todas as datas

Chuva, vento, poeiras e frio: saiba como vai estar o tempo nos próximos dias

EspanhaGoverno espanhol propõe incluir direito ao aborto na Constituição, “face às dinâmicas regressivas que estão a tentar ganhar espaço”Agência Lusa

+EAs cruzadas de Pedro Sánchez: do “não à guerra” à redução de impostos, passando pelo combate ao ódio na internetÁngel Luis de la Calle

Conflito no Médio OrienteEspanha fecha espaço aéreo e proíbe uso de bases militares a aeronaves americanas envolvidas na guerraExpressoAgência Lusa

EspanhaMadrid atenta, mas não inquieta, com ameaça de Trump de levar bases militares de Espanha para MarrocosÁngel Luis de la Calle

RestaurantesRestaurantes: um Boémio saboroso esconde-se em AlgésFortunato da Câmara

Inteligência ArtificialGoogle reforça resposta do Gemini em saúde mental após caso de suicídio nos EUAJuliana Simões

Conflito no Médio OrienteFechar o Estreito de Ormuz foi fácil. Porque é que só o Irão consegue reabri-lo, mesmo com a trégua anunciada?Catarina Maldonado Vasconcelos

Restaurantes e GastronomiaIncêndio destrói restaurante mexicano de Ljubomir Stanisic em Lisboa

BlitzPedro Abrunhosa faz apelo após bater com o carro por “aselhice”: “Não fiquei com dados para o seguro. Se alguém souber de quem se trata…”

Conflito no Médio OrienteTrump anuncia suspensão de ataques ao Irão por duas semanas

Estados UnidosSupremo dos EUA anula retroativamente condenação de Steve Bannon após apoio da administração Trump

Conflito no Médio OrienteIsrael continua a atacar o Líbano, líderes mundiais pedem “paz sustentável”

BlitzRosalía e a namorada, Loli Bahia, vistas a passear junto à Estação do Rossio, em Lisboa

ParlamentoPSD propõe Pedro Duarte para o Conselho de Estado em lista com o Chega, que inclui Ventura e Pacheco Amorim

Ataques IrãoEUA e Irão acordam cessar-fogo de duas semanas, negociações arrancam na sexta-feira no Paquistão

Rumo à LuaQuanto ganham os astronautas da histórica missão Artemis II e será que compensa o risco que correm?

MundoLei na Alemanha dá que falar: homens vão ter de pedir autorização para estadias prolongadas no estrangeiro

SIS: 40 Anos de Segredos“Quando cheguei ao SIS havia um computador ligado à Internet em todo o serviço. Era uma pobreza franciscana em vários aspetos”

MundoFuncionário de supermercado despedido após impedir furto de ovos de Páscoa

PaísIncêndio de grandes dimensões destrói restaurante de Ljubomir Stanisic

EducaçãoCalendário de matrículas para próximo ano letivo já está publicado: conheça aqui todas as datas

MeteorologiaChuva, vento, poeiras e frio: saiba como vai estar o tempo nos próximos dias