Magistrados do Ministério Público preparam nova greve devido à sobrecarga de trabalho imposta, falta de reconhecimento do déficit de recursos e desigualdade em relação à magistratura judicial; protesto visa exigir condições adequadas.
Uma greve com causa, com propósito e com urgência - Expresso Likely publishing date: 2026-04-08
Uma greve com causa, com propósito e com urgência
Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público
O que está agora em causa não é rever o passado, mas construir de forma coerente o próximo movimento
No dia 24 de abril de 2026, os magistrados do Ministério Público fazem greve. Não por capricho corporativo, mas porque o diálogo falhou onde deveria ter funcionado e porque a persistência de um erro organizativo manifesto não pode ser indefinidamente tolerada por quem tem a responsabilidade de sustentar o serviço público de justiça.A origem desta decisão é precisa e documentada. Em 2025, o Conselho Superior do Ministério Público aproveitou o movimento de colocações para introduzir, com o voto de qualidade do Procurador-Geral da República, um alargamento dos conteúdos funcionais que mistura, num mesmo lugar, áreas tão distintas como família e menores, trabalho, cível, comércio e crime. A pretexto de gerir a carência estrutural de magistrados, optou-se por compulsoriamente sobrecarregar os existentes em vez de a reconhecer com honestidade e de exigir ao poder político as soluções devidas. A única via razoável seria a acumulação voluntária e remunerada. O caminho escolhido foi outro, e pior.A assimetria com a magistratura judicial é flagrante e indefensável. O juiz acumula serviço quando quer e recebe por isso. O magistrado do Ministério Público acumula quando lhe impõem e sem contrapartida. Num momento em que a carreira é crescentemente pouco atrativa e em que se torna difícil reter e captar os melhores profissionais, esta diferença de tratamento é simultaneamente injusta e autodestrutiva para o sistema.A greve convocada em junho de 2025 foi um ponto de viragem, mas não produziu os efeitos esperados. O SMMP promoveu depois um ciclo de reuniões plenárias nas 23 comarcas do país, cujas conclusões confirmam, com rigor e sem espaço para equívoco, uma realidade de carência estrutural, degradação das condições materiais e desgaste de quem trabalha sistematicamente além do razoável. Os conteúdos funcionais alargados, apesar de em muitos casos serem inaplicáveis na prática, permanecem inalterados. O CSMP não aprovou qualquer proposta de revisão. O movimento de 2026 está já em preparação. E o relógio continua a contar.Importa recordar que o próprio Procurador-Geral da República admitiu, em junho de 2025, que a agregação das áreas de família e menores com trabalho deveria ser reformulada. O que está agora em causa não é rever o passado, mas construir de forma coerente o próximo movimento. Entre o que se diz e o que se decide, existe uma distância que se tornou insustentável.O dia 24 de abril não é um fim. É a linguagem que resta quando o diálogo não produz efeitos e quando as sinalizações políticas e institucionais se dissolvem sem se traduzir em qualquer alteração concreta. É uma afirmação de dignidade profissional por parte de magistrados que cumprem integralmente as suas funções, mas que recusam ver a especialização comprometida, a sobrecarga ignorada e a realidade das comarcas sistematicamente desatendida.Quando se opta por sobrecarregar magistrados em vez de suprir a carência de meios, as consequências não são apenas organizativas. Traduzem-se em processos mais lentos, em respostas que chegam tarde e em cidadãos que progressivamente deixam de confiar no sistema. A demora da justiça não é uma abstração, tem efeitos reais na vida de quem aguarda uma decisão.A ineficiência do sistema não é um assunto que diga respeito apenas às instituições. Reflete-se na relação entre os cidadãos e o Estado de direito, e agrava-se sempre que a justiça não está à altura do que dela se espera.Uma justiça bem servida exige magistrados com condições para trabalhar. Esse princípio elementar é o que está em causa no dia 24 de abril.
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