Morte de Maria Emília Brederode dos Santos, figura marcante da educação em Portugal, ex-presidente do Conselho Nacional de Educação, diretora pedagógica da Rua Sésamo, oposicionista à ditadura. Vida dedicada à educação e liberdade.
Morreu Maria Emília Brederode dos Santos: pedagoga, educadora e uma mulher do 25 de abril - Expresso Likely publishing date: 2026-04-11
Morreu Maria Emília Brederode dos Santos: pedagoga, educadora e uma mulher do 25 de abril
Morreu este sábado em Lisboa, aos 84 anos, Maria Emília Brederode dos Santos. Pedagoga, especialista em Ciências da Educação, foi presidente do Conselho Nacional de Educação entre 2017 e 2022
Maria Emília Brederode dos Santos morreu este sábado, em Lisboa, vítima de cancro. Tinha 84 anos. A notícia foi confirmada pelo Expresso junto de fonte da família.
Nascida a 21 de março de 1942, em Campo de Ourique, Lisboa, dedicou a sua vida à educação. Pedagoga, presidiu ao Conselho Nacional de Educação entre 2017 e 2022.
Licenciada em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e mestre em Análise Social da Educação pela Universidade de Boston, Maria Emília Brederode Santos foi coordenadora e co-autora da proposta de currículo de Educação para a Cidadania para a Educação Básica e Secundária (2010- 2011) e diretora pedagógica das quatro séries do programa televisivo Rua Sésamo, emitido na RTP entre 1987 e 1997.
Integrou igualmente aComissão de Honra do Plano Nacional de Leitura e o Conselho Geral do Instituto Politécnico de Setúbal.Entre 1997 e 2002, presidiu ao Instituto de Inovação Educacional do Ministério da Educação.
Condecorada com a Ordem da Instrução Pública (grau de Grande Oficial, 2004), recebeu o Prémio da Boston University’s General Alumni Association em 1994 e o Prémio Rui Grácio da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação em 1992.
Cresceu no seio de uma “família oposicionista democrática”, como ela própria lhe chamava. Ainda que de raízes aristocráticas, o avô materno, um humanista, lutou pela República e foi ministro por mais que uma vez.
O pai de Maria Emília era madeirense, conhecido pelos discursos eloquentes na Universidade de Coimbra quando era ainda caloiro de Direito. O primeiro caso que teve foi defender um dos autores do atentado contra Salazar. A mãe, culta, uma das primeiras mulheres a conduzir em Portugal, frequentou a universidade. Ambos decidiram não a batizar e colocaram-na a estudar aos 3 anos no colégio inglês, onde chegou já a saber ler, graças à avó paterna que era professora primária. Foi no 5º ano estrear o Liceu Francês Charles Lepierre, que acolhia muitos professores que estavam proibidos de ensinar no ensino oficial.
Tinha dois irmãos, Fernando e Nuno Brederode dos Santos, este último que se destacaria como jurista e cronista - e que era chamado de Manel pela família.
No 10º ano foi estudar para os Estados Unidos, para a Califórnia, como bolseira do American Field Service (AFS) e aprofundou a sua paixão pela literatura e pelas várias valências escolares, que ali eram muito mais diversas do que em Portugal. Chegou a assistir a um discurso de J.F. Kennedy, que se preparava para ser candidato à Presidência da República, e a trocar algumas palavras com o político, sobejamente informado sobre o que se passava em Portugal.
De regresso a Lisboa, entrou em 1960 para a Faculdade de Direito, onde havia mais de 200 rapazes para 14 raparigas, num ambiente rígido e fechado, que só se abria na associação académica, ganha nesse ano por uma lista liderada por Jorge Sampaio. Maria Emília era presença assídua na ‘cave’, animada pelos debates de ideias, e integrou o grupo cénico de Direito. Identificava-se como republicana socialista. Chegou a ser convidada para aderir ao PC mas nunca aceitou.
Acabou o primeiro ano de Direito mas transitou para Letras, onde via um futuro com que se identificava mais, e onde encontrou um ambiente mais informal e de ‘oposição’. Também aqui se juntou ao grupo de teatro e foi aí que conheceu José Medeiros Ferreira, estudante de História, com quem se acabaria por casar e de quem era viúva desde 2014.
Na universidade apanhou a crise académica de 1962. Tudo passou a ser Política, alimentada a comícios, plenários e música de intervenção. Maria Emília, por falar bem inglês, era a porta-voz que falava com os jornalistas internacionais que estavam em Portugal a cobrir os tumultos. A exposição acabou por pô-la na mira da PIDE e teve de ir um mês para Inglaterra. Medeiros Ferreira foi preso, o irmão Nuno expulso da faculdade, ela também expulsa mais tarde por três meses, ao ponto de perder a época das matrículas.
Depois das expulsões, foi trabalhar para uma agência de publicidade, localizada por cima do café Vavá, que tinha a conta da Compal. Foi Maria Emília que criou o slogan que ainda existe hoje: “Compal é mesmo natural”
Em 1967, o seu irmão Fernando foi preso pela PIDE. Esteve detido cinco anos e meio. José Medeiros Ferreira, prestes a ser alistado para a guerra colonial, fugiu a salto para Paris e depois para Genebra. Maria Emília aceitou um lugar na Universidade de Bristol, como professora de português, mas acabou por ir também para Genebra com uma bolsa da Gulbenkian, estudar para o Institut de Psychologie et des Sciences de I’Education da Universidade de Genebra, onde acabou por ficar como assistente.
O filho de Emília e José nasceria em janeiro de 1974 e em abril dá-se a Liberdade. Regressariam para Portugal em julho, quando terminou o ano letivo. Integra então o Instituto de Tecnologia Educativa, a convite de Rui Grácio, para fazer a preparação pedagógica dos professores, no mesmo edifício aonde voltaria em 2017 à presidência do CNE, já como uma figura incontornável da Educação em Portugal, eleita pela Assembleia da República, por maioria absoluta dos deputados.
“Pedagoga e educadora de referência”
António José Seguro recebeu com “profunda tristeza” a notícia do falecimento de Maria Emília Brederode dos Santos, “pedagoga e educadora de referência, que dedicou a sua vida à construção de uma educação mais justa, mais humana e mais próxima das crianças e dos jovens portugueses”, escreveu numa nota na página da Presidência.
“Ao longo de décadas, o seu trabalho pioneiro marcou gerações. Como diretora pedagógica da Rua Sésamo e de outros programas para a infância da RTP, soube transformar a televisão num instrumento de aprendizagem e de cidadania, num país que ainda trilhava o caminho da democracia e da escolarização universal. A sua influência sobre a educação portuguesa foi silenciosa na forma, mas profunda nos efeitos”, salienta.
“Enquanto Presidente do Conselho Nacional de Educação, exerceu com rigor, independência e sentido de responsabilidade pública uma função essencial para a reflexão e o debate sobre o futuro da escola portuguesa”, acrescenta Seguro.
Maria Emília Brederode dos Santos é também referida como “uma mulher do 25 de Abril — opositora à ditadura, comprometida com a liberdade e com a ideia de que a educação é sempre um ato político e um ato de esperança”.
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