Quarto da população do Sudão deslocada pela guerra; 14 milhões de pessoas sem casa; 4,5 milhões fugiram para países vizinhos; crise alimentar, colapso dos serviços de saúde, crimes de guerra denunciados pela ONU.
Guerra no Sudão obrigou 14 milhões de pessoas a abandonar as suas casas - Expresso Likely publishing date: 2026-04-11
Guerra no Sudão obrigou 14 milhões de pessoas a abandonar as suas casas
Dados revelados pelas Nações Unidas mostram que um quarto da população do Sudão teve de abandonar a sua casa para salvar a vida em algum momento dos três anos de guerra
Um quarto da população do Sudão, cerca de 14 milhões de pessoas, teve de abandonar as suas casas para salvar a vida em algum momento dos três anos de guerra, assinalados a 15 de abril, segundo estimativas ONU.
Três anos após o início da guerra, as Nações Unidas (ONU) descrevem um panorama humanitário absolutamente catastrófico neste país africano.
O conflito começou em 15 de abril de 2023, na sequência do fracasso das negociações de integração entre o Exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF), o grupo paramilitar mais poderoso do país, e foi culminar de uma espiral de caos que teve origem no derrube, em 2019, do ditador Omar al Bashir, e na incapacidade de formar um governo de transição civil.
Desde então, as atrocidades têm-se sucedido sem parar. Tanto o Exército como as RSF foram apontados por organizações humanitárias como responsáveis por alegados crimes de guerra e contra a Humanidade.
O conflito reacendeu também confrontos comunitários históricos na região ocidental de Darfur, com o consequente derramamento adicional de sangue, escreve a agência Europa Press.
Neste contexto, a representante do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) no país, Marie-Helene Verney, constatou que, do total de deslocados, quatro milhões e meio de pessoas fugiram para outros países, principalmente para o Chade, para o Sudão do Sul e para o Egito.
Mais de 58.000 crianças chegaram sozinhas a países vizinhos, separadas das suas famílias durante a fuga, muitas vezes feridas e profundamente traumatizadas.
A ONU alertou, na quinta-feira, que mais de um milhão de refugiados sudaneses no Chade enfrenta cortes imediatos e potencialmente fatais nos serviços essenciais, à medida que os fundos humanitários se esgotam.
Em abril, o gabinete do alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou que, só em 2025, foram confirmadas as mortes de 11.300 civis e 500 vítimas de violações e outros episódios de violência sexual, segundo as estimativas mais conservadoras, porque “muitos milhares de pessoas continuam desaparecidas ou por identificar”.
A guerra no Sudão agravou a crise de fome que o país atravessava. Agora, e de acordo com a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), há 21 milhões de sudaneses em situação de insegurança alimentar aguda e, destes, 6,3 milhões enfrentam uma situação grave de emergência alimentar.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), através do seu porta-voz, Shible Sahbani, lamentou a destruição do sistema de saúde sudanês: mais de 40% da população necessita de ajuda humanitária urgente e a maior parte dos centros médicos e hospitais do país estão praticamente inutilizados.
Shible Sahbani constatou que foram registados mais de 200 ataques contra profissionais de saúde durante estes três anos de guerra no Sudão, que resultaram em 2.052 mortos.
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