Líbano recusa negociações diretas com Israel apesar de anúncios de Trump e confirmação israelita; negociações previstas excluem Hezbollah; cessar-fogo é condição libanesa; evento seria primeiro desde 1993.

Negociações à vista? Trump anuncia, Israel confirma, mas Líbano não se senta à ‘mesa’ - Expresso

Negociações à vista? Trump anuncia, Israel confirma, mas Líbano não se senta à ‘mesa’

O Líbano não quer negociar enquanto um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah seja alcançado. As negociações têm excluído o grupo xiita Hezbollah

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que “os líderes” de Israel e do Líbano iriam falar esta quinta-feira. Israel confirmou, mas depois o presidente do Líbano recuou-se a sentar-se à ‘mesa’ para negociar a paz.

“Estamos a tentar dar algum espaço para respirar entre Israel e o Líbano. Passou muito tempo desde que os dois líderes falaram, cerca de 34 anos. Amanhã acontecerá. Espetacular!”, escreveu na quarta-feira Trump na rede social Truth Social, da qual é proprietário.

Este anúncio, que não especificou quem seriam os líderes, surgiu depois de os Governos de ambos os países terem acordado reunir-se novamente para continuar a dialogar sobre um cessar-fogo que interrompa os ataques israelitas contra o Líbano, iniciados após a guerra com o Irão.

Após o anúncio, o Líbano indicou não ter conhecimento de um próximo contacto com Israel, segundo indicou fonte oficial libanesa à agência France-Presse (AFP).

Do lado de Israel estavam prontos para avançar: “O primeiro-ministro [de Israel] vai falar pela primeira vez com o Presidente do Líbano após tantos anos de rutura total do diálogo entre os dois países, e pode esperar-se que esta iniciativa conduza, finalmente, à prosperidade e ao desenvolvimento do Líbano enquanto Estado”, afirmou a ministra da Inovação israelita, Gila Gamliel, à rádio militar de Israel. Contudo, Gamliel não avançou exatamente quando e de que forma os dois responsáveis irão conversar.

“Está em curso um processo histórico em todos os aspetos para erradicar a ameaça [do movimento islamista libanês Hezbollah] e não a política de contenção que prevalecia no passado, mas a eliminação efetiva de todo o potencial de quem procura prejudicar os cidadãos do Estado de Israel”, acrescentou a ministra.

Líbano quer cessar-fogo, mas não vai negociar

O presidente Libanês chegou a afirmar que o cessar-fogo seria “o ponto de partida” nas negociações com Israele disse estar comprometido em “travar a escalada no sul e em todas as regiões libanesas”, sublinhando que devem cessar os ataques contra “civis inocentes” e “a destruição de habitações nas cidades libanesas”.

Segundo Aoun, as autoridades libanesas serão “as únicas responsáveis pelas negociações”, salientando que estão em causa matérias soberanas e que um passo essencial seria a retirada das forças militares israelitas do território libanês.

O Líbano já apelou em várias ocasiões a Israel para a abertura de negociações bilaterais, algo apenas aceite há uma semana por Netanyahu, que ordenou a realização de negociações diretas com o Líbano para estabelecer “relações pacíficas” e trabalhar em conjunto para “desmantelar” o Hezbollah, um ponto também defendido por Beirute.

Mas, entretanto, algo mudou. Segundo aCNNe omeio de comunicação social libanês LBCI, o Presidente libanês, Joseph Aoun, recusa-se a falar com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

“Dissemos aos americanos que não estamos prontos para dar esse passo”, disse um funcionário não identificado à CNN. A mensagem terá sido passada ao secretário de Estado norte-americano Marco Rubio por telefone, chamada na qual o Líbano agradeceu os esforços feitos pelos Estados Unidos para cessar-fogo.

O Líbano não quer negociar enquanto um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah seja alcançado.

Seria o primeiro grande encontro desde 1993

Na passada terça-feira, o embaixador de Israel nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, e a homóloga libanesa, Nada Hamadeh Moawad, mantiveram um encontro de duas horas e meia na presença do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Tommy Pigott assegurou posteriormente que “todas as partes concordaram em iniciar negociações diretas numa data e local mutuamente convencionados”. As negociações excluiriam o grupo xiita Hezbollah.

Líbano e Israel, que não mantêm relações diplomáticas, tiveram pela última vez conversações de alto nível em 1993,embora não ao nível de presidente e primeiro-ministro.

Estas conversações ocorrem após seis semanas de confrontos entre o Hezbollah e Israel em território libanês, que causaram mais de 2.000 mortos e mais de um milhão de deslocados devido aos ataques e incursões israelitas, que o Governo de Benjamin Netanyahu justifica pelo lançamento de ‘rockets’ do grupo islamista.

Líder do Hezbollah rejeita negociações com Israel e considera diálogo uma capitulação

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