Papa Leão XIV em Angola critica lógica extrativista, condena interesses prepotentes, apela à justiça social, ouve pedidos de paz; Presidente angolano pede fim da guerra, diálogo no Estreito de Ormuz. Pontífice rejeita polémica com Trump.
Em visita a Angola, Papa critica “lógica extrativista” e “interesses prepotentes” e ouve apelos para fim da guerra
Em visita a Angola, Papa critica “lógica extrativista” e “interesses prepotentes” e ouve apelos para fim da guerra
O líder da Igreja Católica chegou este sábado ao terceiro país do seu périplo em África, onde afirmou que “um punhado de tiranos está a destruir o mundo”. Mas sublinhou que não quer alimentar mais polémicas com Trump
O Papa Leão XIV chegou este sábado a Angola, o terceiro país do seu périplo em África, onde criticou “a lógica extrativista” e defendeu a necessidade de quebrar “a cadeia de interesses” e de “modelos de desenvolvimento que excluem”, enfatizando que há que recuperar no continente “a harmonia que foi violada”.
O Sumo Pontífice afirmou em Luanda que, demasiadas vezes, se olha para “as vossas terras mais frequentemente para tirar algo” e considerou que “é necessário quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria”.
Sublinhou que África é “uma reserva de alegria e esperança”, destacando que os jovens e os mais pobres “ainda sonham, ainda esperam, não se contentam com o que já existe”.
O líder da Igreja Católica destacou o “mosaico muito colorido” das comunidades angolanas e afirmou ter vindo ao país para ouvir “aqueles que já escolheram o bem, a justiça, a paz, a tolerância e a reconciliação”.
Abordando os problemas associados às riquezas materiais, referiu que, muitas vezes, se encontram nas mãos de interesses prepotentes”, questionando: “quantos sofrimentos, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais acarreta esta lógica extrativista?”.
“Em todas as partes do mundo, vemos como ela, no fundo, alimenta um modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que ainda pretende impor-se como o único possível”, criticou, denunciando os aspetos anacrónicos de uma civilização materialista que não responde às expectativas das novas gerações.
“Vós sois testemunhas de que a criação é a harmonia na riqueza da diversidade. Sendo que essa harmonia foi violada pela prepotência de alguns, o vosso povo sofreu”, afirmou, apontando as “cicatrizes” dos angolanos resultantes tanto da exploração material como da tentativa de impor uma ideia sobre outras.
O Papa considerou que África tem uma necessidade urgente de superar fenómenos de conflitualidade “que dilaceram o tecido social e político de tantos países, fomentando a pobreza e a exclusão”, defendendo que só no encontro e no diálogo “a vida floresce”.
“Angola pode crescer muito se, em primeiro lugar, vós, que detendes autoridade no país, acreditardes na multiformidade da sua riqueza”, acrescentou, apelando a que não se temam as divergências.
“Sabei, sim, gerir conflitos, transformando-os em caminhos de ligação”, exortou o Papa.
Leão XIV disse que “deseja ser fermento na massa e promover o crescimento de um modelo justo de convivência, livre das escravidões impostas por elites com muito dinheiro e falsas alegrias”, contribuindo para “multiplicar os talentos deste povo maravilhoso, mesmo nas periferias urbanas e nas regiões rurais mais remotas”
Presidente angolano lembra que Médio Oriente devia ser “zona de paz”
Ao receber o Papa, o Presidente angolano, João Lourenço, defendeu a abertura do Estreito de Ormuz pela via negocial e apelou ao Papa para que continue a desempenhar um papel de construtor de pontes.
“Apelamos ao fim definitivo da guerra, à abertura do Estreito de Ormuz pela via negocial e ao estabelecimento de uma paz duradoura na região”, enfatizou o chefe do executivo angolano, pedindo ao Papa, face à probabilidade de agravamento do conflito, “para que, do alto da sua autoridade moral, continue a desempenhar um papel de construtor de pontes, de resgate dos valores humanistas, de busca da concórdia e do entendimento entre os homens”.
Para João Lourenço, “é urgente que todos os estadistas influentes e figuras públicas com reconhecida autoridade moral atuem conjuntamente para assegurar que, nas relações internacionais, a justiça e o diálogo prevaleçam sobre o uso da força”.
E realçou que as empresas e os Estados, através de contratos e acordos, podem ter acesso aos recursos de que precisam sem que tenham de “recorrer à guerra”, alertando para o “momento perigoso com os conflitos que se proliferam por todos os continentes”.
Destacou em particular o Médio Oriente, berço do Cristianismo, do Islão e do Judaísmo, que devia ser uma zona de paz, concórdia e fraternidade, mas que, pelo contrário, é marcado pelo “sofrimento dos povos da Palestina, do Líbano e de todos os países do Golfo Pérsico”, levando esta região produtora e exportadora de petróleo e gás “a ruir como consequência das guerras que lhes impuseram”.
Sem “medo” da administração Trump
A bordo do avião, à chegada a Angola, o Papa afirmou aos jornalistas que os discursos que proferiu durante a sua viagem a África não foram respostas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e acrescentou que não tem interesse em continuar este debate.
Leão XIV explicitou que nos últimos dias surgiu “uma certa narrativa que não foi precisa” devido à “situação política criada no primeiro dia da viagem, quando o presidente dos Estados Unidos fez alguns comentários” sobre si. O Papa referia-se a interpretações dos seus discursos nesta viagem a África, isto depois de ter reiterado a sua posição contra a guerra no Irão.
A este propósito, o Papa citou o seu discurso na reunião de paz em Bamenda, no noroeste dos Camarões, onde uma guerra civil assola o país há uma década, e onde afirmou que “um punhado de tiranos está a destruir o mundo”.
“O discurso na reunião de paz, há alguns dias, foi preparado com duas semanas de antecedência, muito antes de o presidente [Trump] se pronunciar sobre mim e sobre a mensagem de paz que promovo”, afirmou, lamentando que, “apesar disso, tenha sido interpretado como se estivesse a tentar debater” com o presidente norte-americano. “Não é de todo a minha intenção”.
Leão XIV respondeu ao Presidente dos Estados Unidos no primeiro dia da sua viagem a África, durante o voo para a Argélia, assegurando aos jornalistas que continuaria a manifestar-se contra a guerra, porque o Evangelho o instrui a fazê-lo, e que não tinha “medo” da administração Trump.
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