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title: "Processo de escolha do novo secretário-geral da ONU pode ser histórico com possível eleição de uma mulher; candidaturas de Michelle Bachelet, Rafael Grossi, Rebeca Grynspan e Macky Sall; disputas geopolíticas, pressões regionais, poder de veto dos EUA e China; crise de credibilidade e financiamento da ONU em pano de fundo."
sdDatePublished: "2026-04-19T10:42:00Z"
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Processo de escolha do novo secretário-geral da ONU pode ser histórico com possível eleição de uma mulher; candidaturas de Michelle Bachelet, Rafael Grossi, Rebeca Grynspan e Macky Sall; disputas geopolíticas, pressões regionais, poder de veto dos EUA e China; crise de credibilidade e financiamento da ONU em pano de fundo.

Quem vai suceder a António Guterres nas Nações Unidas? - Expresso

Quem vai suceder a António Guterres nas Nações Unidas?

Duas mulheres e dois homens mantêm-se na disputa pelo cargo de secretário-geral da ONU e serão ouvidos a partir de terça-feira pelos Estados-membros, dando início a um processo que poderá ser histórico caso a liderança eleita seja feminina

O diálogo interativo com os quatros candidatos a secretário-geral da ONU arranca na terça-feira, num processo que moldará o futuro do multilateralismo e que poderá levar, pela primeira vez na história da organização, à eleição de uma mulher.

A ex-presidente chilena Michelle Bachelet será a primeira candidata a ser ouvida, na manhã de terça-feira, em Nova Iorque, seguindo-se o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, na tarde do mesmo dia. Na quarta-feira será a vez da ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan, que terá a sua audição de manhã, e do ex-presidente senegalês Macky Sall, que será ouvido no período da tarde.

A diplomata argentina e ex-representante especial da ONU para Crianças e Conflitos Armados, Virginia Gamba, chegou a entrar na corrida para suceder a António Guterres como líder da ONU através da nomeação das Maldivas. Contudo, a nação insular acabou por retirar o apoio à sua candidatura, eliminando-a assim do processo eleitoral.

Cada potencial candidato teve de ser oficialmente indicado por um Estado ou grupo de Estados, mas não necessariamente pelo seu país de origem.

Todas as sessões de diálogo interativo serão transmitidas 'online' e decorrerão na sala do Conselho de Tutela das Nações Unidas, um dos seis principais órgãos da organização, em Nova Iorque. Cada candidato terá a oportunidade de apresentar a sua declaração de visão para a organização, responder às perguntas dos Estados-membros e interagir com entidades da sociedade civil.

A sessão de cada candidato terá três horas de duração, período que será dividido, numa primeira fase, em torno das declarações de visão pessoal e das competências de gestão do candidato. Na segunda parte, serão abordados três pilares: a paz e a segurança, o desenvolvimento sustentável e o clima, e os direitos humanos.

A próxima pessoa a chefiar o Secretariado das Nações Unidas iniciará o mandato de cinco anos em 01 de janeiro de 2027, sucedendo ao antigo primeiro-ministro português António Guterres.

Em consonância com uma tradição de rotação geográfica, nem sempre observada, a posição de secretário-geral da ONU está a ser reivindicada pela América Latina. Já se passaram 35 anos desde que um latino-americano liderou a ONU. A região argumenta que ignorar essa tradição agora quebraria o pacto informal e não escrito que mantém o equilíbrio geográfico da ONU.

Contudo, muitas nações africanas argumentam que, como Guterres (Europa Ocidental) representou uma "interrupção" na rotação em 2016 (informalmente, era a vez da Europa Oriental), o ciclo está efetivamente quebrado e alegam que o fardo da manutenção da paz de África confere ao continente o direito de liderar. Muitos países também defendem que uma mulher ocupe o cargo pela primeira vez nos 80 anos de história da ONU.

Contudo, são os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, que devem iniciar o processo de seleção até ao final de julho, que realmente têm a decisão nas mãos.

É apenas por recomendação do Conselho de Segurança que a Assembleia-Geral pode eleger o secretário-geral para um período de cinco anos, renovável por mais um mandato. O Conselho de Segurança realizará votações secretas – chamadas de votações informais – até que chegue a um consenso.

Por fim, os cinco membros permanentes do Conselho com poder de veto — Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França — devem concordar com um candidato. O Conselho adotará então uma resolução, tradicionalmente a portas fechadas, recomendando uma nomeação para a Assembleia-Geral. A resolução precisa de nove votos a favor e nenhum veto para ser aprovada.

Embora se presuma que a resolução conterá o nome de um único candidato (uma convenção que remonta a 1946; não uma regra restrita), crescem os apelos para que o Conselho apresente à Assembleia-Geral dois ou mais candidatos, entre os quais uma seleção possa ser feita. A Assembleia-Geral, assim como líderes mundiais através do Pacto para o Futuro, incentivaram todos os Estados a considerarem a nomeação de candidatas mulheres.

A carta de competências exige que o próximo secretário-geral demonstre fortes capacidades de liderança, dedicação e eficácia, com experiência em estruturas de governação, assim como em relação às Nações Unidas e à gestão da instituição à luz das reformas.

Embora a escolha de um secretário-geral da ONU seja sempre um momento de grande atenção no universo dos assuntos multilaterais, a eleição deste ano chega num momento de grave crise multidimensional da instituição, que tem em risco a sua influência e orçamento.

Apesar dos esforços do atual secretário-geral para tentar convencer o mundo de que a ONU é hoje mais vital do que nunca, a organização fundada após a Segunda Guerra Mundial tem hoje a sua influência desacreditada e o seu pleno funcionamento em risco devido aos cortes de financiamento de nações como os Estados Unidos, país que acolhe a sede da instituição, em Nova Iorque, e o seu maior doador.

António Guterres assumiu a liderança da ONU em janeiro de 2017, tendo sido reconduzido para um segundo mandato, que termina no final de 2026. Agora, duas mulheres e dois homens mantêm-se na disputa pelo cargo de secretário-geral da ONU e serão ouvidos a partir de terça-feira pelos Estados-membros, dando início a um processo que poderá ser histórico caso a liderança eleita seja feminina.

A ex-presidente chilena Michelle Bachelet entrou na corrida à liderança da ONU através da nomeação conjunta do Chile, México e Brasil. Contudo, o seu país de origem desistiu de a apoiar na sequência da eleição do Governo de extrema-direita de José Antonio Kast.

Bachelet é a mais politicamente destacada dos quatros candidatos atualmente em competição, tendo presidido o Chile de 2006 a 2010 e de 2014 a 2018, além de ter sido a primeira mulher do Chile e de toda a América Latina a ocupar o cargo de ministra da Defesa. Também foi a primeira diretora da ONU Mulheres e ocupou ainda o cargo de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Apesar de ser mulher e de ser da América Latina - dois fatores que poderiam pesar a seu favor -, Bachelet enfrentará dois adversários de peso no Conselho de Segurança, ambos com poder de veto.

Um deles é a China, que protestou veementemente contra um relatório independente da chilena sobre violações de direitos humanos contra a minoria uigur, apresentado em 2022 na sua despedida do cargo de alta comissária para os Direitos Humanos.

O segundo adversário poderoso são os Estados Unidos, que já denunciaram as críticas da chilena a Israel e a Washington.

A juntar a tudo isto, a posição pró-aborto da antiga presidente tem atraído duras críticas dos republicanos mais conservadores dos Estados Unidos.

Michelle Bachelet é formada em Medicina com especialização em Cirurgia, Pediatria e Saúde Pública. Também estudou estratégia militar na Academia Nacional de Estratégia e Política do Chile e no Colégio Interamericano de Defesa, nos Estados Unidos.

Diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi é um diplomata argentino com 40 anos de experiência em diversas áreas, incluindo paz e segurança, não proliferação e desarmamento, e desenvolvimento internacional.

Chegou à corrida para sucessor de António Guterres através da nomeação da Argentina.

"Rafael Mariano Grossi é um dos diplomatas argentinos mais respeitados, cujo trabalho como diretor-geral da AIEA lhe rendeu admiração mundial", defendeu o Governo argentino.

"O seu profundo conhecimento do sistema multilateral, capacidade de fomentar o diálogo diplomático, o seu histórico comprovado em situações de conflito e grandes crises internacionais como interlocutor imparcial e eficaz, a sua competência técnica e linguística e o seu compromisso com a Carta da ONU fazem dele um candidato excecional para cumprir as responsabilidades que o mundo exige hoje do secretário-geral", acrescentou Buenos Aires.

Grossi é licenciado em Ciências Políticas, tem um mestrado em Relações Internacionais e um doutoramento em História e Política Internacional.

Com uma campanha baseada em "resultados efetivos", é atualmente o favorito entre aqueles que procuram um líder mais técnico, especializado em programas de armas nucleares.

Em outubro passado, numa conferência de imprensa em Nova Iorque, Grossi considerou que a sua experiência pessoal a mediar conflitos e o papel de interlocutor regular entre potências beligerantes poderão contribuir para ser eleito.

Grossi recusou renunciar ao cargo na AIEA enquanto concorre à liderança da ONU, contrariando uma resolução da Assembleia-Geral que pedia aos funcionários das Nações Unidas que "considerassem" suspender funções durante a campanha, a fim de evitar conflitos de interesse.

A costa-riquenha Rebeca Grynspan suspendeu a sua liderança da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) quando se tornou candidata à sucessão de Guterres.

Economista, ex-vice-presidente da Costa Rica - país que a nomeou oficialmente - e a primeira mulher a liderar a UNCTAD em 60 anos de história, Grynspan é uma líder experiente em instituições internacionais.

Com uma sólida trajetória em governo, diplomacia da ONU, política económica e cooperação multilateral em nível global, recebeu em 2024 o Prémio de Negociadora do Ano de Doha por liderar os esforços da ONU para restaurar as rotas comerciais do Mar Negro face à guerra iniciada pela Rússia na Ucrânia.

Na sua declaração de visão para a ONU, a costa-riquenha afirmou que a confiança nas Nações Unidas estava a diminuir e que era necessária coragem para mudá-la e restaurar a crença na capacidade da organização de promover a paz e o desenvolvimento.

No início de março, o ex-presidente senegalês Macky Sall entrou na corrida para secretário-geral após uma nomeação do Burundi, sendo potencialmente a candidatura mais polémica em competição.

A candidatura não foi apresentada pelo Senegal, uma vez que Macky Sall é acusado pelos novos dirigentes do seu país de ter ocultado dados económicos importantes, como a dívida pública.

A União Africana (UA) recusou apoiar a candidatura de Sall, depois de ter sido rejeitada por 20 dos 55 Estados-membros da organização.

Sall, 64 anos, que governou o Senegal de 2012 a 2024, é visto pelos seus apoiantes como um candidato capaz de conduzir negociações multilaterais em nome do continente, mas os seus detratores criticam o seu regime pela dura repressão aos protestos da oposição.

A falta de apoio consensual em África poderá enfraquecer a influência do continente no processo de seleção da ONU, onde o apoio regional é importante.

Na sua declaração de visão para o cargo, Sall afirmou que a ONU precisava de ser reformada, simplificada e modernizada.

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