---
title: "Trump assina ordem executiva para acelerar aprovação de psicadélicos em tratamentos médicos nos EUA; anúncio feito ao lado de Joe Rogan; preocupações sobre segurança, influência comercial e ausência de ensaios clínicos adequados."
sdDatePublished: "2026-04-22T07:18:00Z"
source: "https://expresso.pt/opiniao/2026-04-22-trump-e-os-psicadelicos-boa-ou-ma-noticia--dacb65f2#comentarios"
topics:
  - name: "healthcare policy"
    identifier: "medtop:20000479"
  - name: "mental health and disorder"
    identifier: "medtop:20000458"
  - name: "drug use in sport"
    identifier: "medtop:20001104"
  - name: "scientific research"
    identifier: "medtop:20000735"
  - name: "government policy"
    identifier: "medtop:20000621"
locations:
  - "Burkina Faso"
  - "Portugal"
  - "Iran"
  - "Russia"
  - "Viseu"
  - "France"
  - "United States"
  - "District of Columbia"
---


Trump assina ordem executiva para acelerar aprovação de psicadélicos em tratamentos médicos nos EUA; anúncio feito ao lado de Joe Rogan; preocupações sobre segurança, influência comercial e ausência de ensaios clínicos adequados.

Trump e os psicadélicos: boa ou má notícia? - Expresso

Trump e os psicadélicos: boa ou má notícia?

Psiquiatra, investigador no London Imperial College

O Presidente norte-americano anunciou esta semana que vai flexibilizar as pesquisas sobre a utilização de substâncias psicadélicas nos tratamentos relacionados com problemas de saúde mental

Donald Trump assinou esta semana uma ordem executiva para acelerar a aprovação de substâncias psicadélicas como tratamentos médicos. O anúncio foi feito numa cerimónia noOval Office, com Joe Rogan ao lado - que afirmou ter sido ele a convencer o Presidente por mensagem de texto. Para quem trabalha nesta área, a notícia provoca sentimentos contraditórios.A crise que motivou décadas de investigação com psicadélicos é real e urgente. Cerca de 30% dos doentes com depressão não respondem aos tratamentos disponíveis. A dependência de opioides mata 80 mil pessoas por ano, só nos Estados Unidos. O suicídio continua a ser a principal causa de morte em jovens entre os 15 e os 29 anos. É neste contexto que a investigação com psicadélicos ressurgiu — não como moda, mas como resposta científica séria a um sofrimento que os tratamentos existentes não conseguem resolver.Os dados acumulados são impressionantes: a terapia com psilocibina apresenta efeitos antidepressivos sustentados várias semanas após uma única administração da substância; a psicoterapia assistida por MDMA (substância também conhecida pelo nome de ecstasy) mostrou resultados no tratamento da perturbação de stress pós-traumático muito superiores a qualquer tratamento aprovado; a ibogaína tem demonstrado potencial no tratamento da dependência de opioides.O quadro regulatório atual tem sido um obstáculo real. Nos Estados Unidos - e na maior parte do mundo -, a classificação destas substâncias considerando que não teriam valor terapêutico reconhecido, tornou a investigação extraordinariamente difícil e burocrática. Se as medidas propostas forem implementadas com rigor científico e supervisão clínica adequada, podem genuinamente reduzir barreiras que têm atrasado o acesso de doentes a tratamentos potencialmente transformadores. Há algo de simbolicamente importante no facto de um governo conservador - historicamente associado à "Guerra às Drogas" - reconhecer o valor terapêutico destas substâncias.E, no entanto, a forma como isto aconteceu importa tanto quanto o que aconteceu.A narrativa centrou-se na ibogaína - uma substância que, apesar do seu potencial, é muito menos segura que a psilocibina ou o MDMA, e está associada a mais de 30 mortes documentadas, sobretudo por arritmias cardíacas fatais. Aprová-la "em semanas", sem os ensaios clínicos necessários para estabelecer a sua segurança, seria, na melhor das hipóteses, prematuro.Mas o problema mais profundo é o modelo. Nos últimos anos, assistimos ao que alguns investigadores já designam depsychedelic capitalism(ou ‘corporate psychedelia’) - a entrada massiva de capital privado neste campo. O que se perde neste processo é precisamente o que torna estes tratamentos eficazes: os melhores resultados foram obtidos em ensaios académicos que combinavam a substância com psicoterapia estruturada, preparação cuidadosa e integração da experiência.O contexto -o set and setting- não é um pormenor teórico: é parte do mecanismo de ação. Quando os protocolos académicos se tornam produtos comerciais, a psicoterapia é frequentemente eliminada para reduzir custos. Os efeitos diminuem. Os riscos aumentam. Uma aprovação acelerada por decreto executivo, motivada por narrativas políticas e interesses comerciais, sem dados de segurança completos, não é uma vitória para as pessoas com perturbações de saúde mental. É um risco que recai sobre os mais vulneráveis.Há dois erros simétricos que a investigação com psicadélicos tem procurado evitar: o estigma que durante décadas negou qualquer valor terapêutico a estas substâncias, e ohypeque as apresenta como cura universal. A ordem executiva de Trump corre o risco de alimentar o segundo erro, ao mesmo tempo que pode criar condições para corrigir o primeiro.O que a ciência e os pacientes nos pedem é que nos mantenhamos num terreno intermédio: reconhecer o potencial real destas substâncias, exigir os padrões de evidência que qualquer tratamento médico merece, e garantir que o suporte clínico não seja sacrificado no altar da eficiência comercial.Portugal, com a sua tradição de abordagem pragmática e humanista às políticas de drogas, tem aqui uma oportunidade de contribuir para este debate com a seriedade que ele merece. Não seguindo Trump. Mas também não ignorando o que a ciência tem dito, com crescente clareza, sobre o sofrimento que estas substâncias podem ajudar a aliviar.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail:clubeexpresso@expresso.impresa.pt

Faça login e junte-se ao debate

Insira o código presente na Revista E para se juntar ao debate

Como o Irão venceu a guerra do Lego

Vacinar ao longo da vida é uma prioridade de saúde pública

Televisão: “Half Man” é a história de dois irmãos que em nada são iguais, com violência mas sem moralismos

Proibição do uso de burca em espaços públicos parada na especialidade desde outubro

Estado português vai pagar mais de 20 mil euros a advogado que foi condenado por ter enviado um fax com queixas contra um juiz

Marcelo considera "estranho" não haver textos do único Nobel da Literatura português nas leituras obrigatórias do 12º ano

“Enquanto eu me levantava cedo e ia a pé, alguns colegas chegavam de Porsche”: Fernando Daniel cria escola “justa” para jovens talentos

Joana Marques: “Sinto que a Cristina Ferreira é uma pessoa que tem alguns problemas com a liberdade de expressão”

“A democracia mata”: Presidente interino rompe com França, aproxima-se da Rússia e consolida regime militar no Burkina Faso

What's up com Carolina Patrocínio

“Ver a decadência dos nossos pais é a fase mais triste da nossa vida. Queremos que eles durem para sempre”

Heranças com novas regras: "uma reforma profunda do direito sucessório" com prazos mais curtos e menos burocracia

Joana Marques: “O que Cristina Ferreira disse não foi tirado do contexto. Até o canal ameaçou com processos, pensei que se aprendesse algo com os Anjos”

Militares da GNR baleados em Viseu

AIMA ordena expulsão de mãe de bebé portuguesa e reverte decisão após pedidos de esclarecimento da SIC

Rui Costa e Mourinho condenados ao divórcio

AIMA quer expulsar brasileira que vive em Portugal há oito anos com três filhos

A nova fase dos Certificados de Aforro explicada por Pedro Andersson, sem ilusões nem entusiasmos excessivos

Quem era Shamar Elkins, o homem que matou os sete filhos

OpiniãoComo o Irão venceu a guerra do LegoLuís Pedro Nunes

OpiniãoVacinar ao longo da vida é uma prioridade de saúde públicaPaulo Teixeira

OpiniãoTrump e os psicadélicos: boa ou má notícia?Pedro Castro Rodrigues

Palavras CruzadasPalavras Cruzadas nº 1459Atlântico Press

TelevisãoTelevisão: “Half Man” é a história de dois irmãos que em nada são iguais, com violência mas sem moralismosJosé Paiva Capucho

ParlamentoProibição do uso de burca em espaços públicos parada na especialidade desde outubroMargarida Coutinho

SociedadeEstado português vai pagar mais de 20 mil euros a advogado que foi condenado por ter enviado um fax com queixas contra um juiz

EducaçãoMarcelo considera "estranho" não haver textos do único Nobel da Literatura português nas leituras obrigatórias do 12º ano

Blitz“Enquanto eu me levantava cedo e ia a pé, alguns colegas chegavam de Porsche”: Fernando Daniel cria escola “justa” para jovens talentos

Humor à Primeira VistaJoana Marques: “Sinto que a Cristina Ferreira é uma pessoa que tem alguns problemas com a liberdade de expressão”

África“A democracia mata”: Presidente interino rompe com França, aproxima-se da Rússia e consolida regime militar no Burkina Faso

What's up com Carolina Patrocínio“Ver a decadência dos nossos pais é a fase mais triste da nossa vida. Queremos que eles durem para sempre”

SociedadeHeranças com novas regras: "uma reforma profunda do direito sucessório" com prazos mais curtos e menos burocracia

Humor à primeira vistaJoana Marques: “O que Cristina Ferreira disse não foi tirado do contexto. Até o canal ameaçou com processos, pensei que se aprendesse algo com os Anjos”

PaísMilitares da GNR baleados em Viseu

PaísAIMA ordena expulsão de mãe de bebé portuguesa e reverte decisão após pedidos de esclarecimento da SIC

OpiniãoRui Costa e Mourinho condenados ao divórcio

PaísAIMA quer expulsar brasileira que vive em Portugal há oito anos com três filhos

Contas-Poupança em PodcastA nova fase dos Certificados de Aforro explicada por Pedro Andersson, sem ilusões nem entusiasmos excessivos

MundoQuem era Shamar Elkins, o homem que matou os sete filhos