Economista Tao Ran afirma que crescimento económico chinês gerou “a maior vaga de corrupção da humanidade”; corrupção ligada a megaprojetos, disparo da dívida local, bolha imobiliária, monopólios estatais, necessidade de reformas estruturais.

Crescimento económico chinês gerou “a maior vaga de corrupção da humanidade” - Expresso

Crescimento económico chinês gerou “a maior vaga de corrupção da humanidade”

Tao Ran,chefe da Divisão de Desenvolvimento e Governação na Escola de Humanidades e Ciências Sociais da Universidade de Hong Kong, diz que atransição para um modelo de crescimento mais sustentável e inclusivo exigirá o desmantelamento de monopólios enraizados e um reequilíbrio do papel do Estado na China

O chefe da Divisão de Desenvolvimento e Governação na Escola de Humanidades e Ciências Sociais da Universidade de Hong Kong, Tao Ran, defendeu hoje que o rápido crescimento económico da China desencadeou “a maior vaga de corrupção da história da humanidade”.

Durante um seminário na Universidade de Macau, o economista descreveu que a corrupção no país está intimamente ligada a um modelo de crescimento baseado no investimento em grandes projetos de infraestruturas e imobiliário.

“Este modelo gerou a maior vaga de corrupção da história da humanidade”, afirmou Tao, destacando que estes investimentos maciços por parte de autoridades locais no país geraram oportunidades de excessos financeiros e “corrupção” entre membros do Governo e empresários.

Tao acrescentou que estas tendências se intensificaram após quatro rondas de estímulo macroeconómico por parte do Governo chinês, depois de 2009, que contribuíram para a formação de uma “estrutura económica complexa”, marcada por elevados níveis de dívida local e por uma acentuada bolha imobiliária.

Segundo o economista, embora esta abordagem tenha proporcionado décadas de elevado crescimento, também criou “distorções sistémicas”, incluindo excesso de capacidade industrial, aumento das desigualdades e acumulação de dívida.

Projetos sobredimensionados, dívida a disparar

Dados apresentados pelo investigador durante o seminário mostram a dimensão do problema, com a dívida dos governos locais a aumentar acentuadamente nas últimas duas décadas, passando de 10 biliões de yuan (1,25 biliões de euros) em 2010, para cerca de 105 biliões de yuan (13,125 biliões de euros) em 2022.

O investigador sublinhou que a maioria dos empréstimos contraídos pelos governos locais foi gasta em projetos de infraestruturas descritos como “não convencionais” e “sobredimensionados”, ou seja, para além das necessidades da população.

A China, descreveu o académico, tem atualmente uma economia “ancorada no domínio estatal de setores estratégicos”, incluindo recursos, energia e indústrias chave, juntamente com um sistema bancário que exerce um “controlo rigoroso sobre a alocação de crédito”.

No entanto, estas características centralizadas coexistem com um setor privado competitivo focado na produção de bens de consumo orientados para a exportação, um motor essencial da integração da China na economia global, e que originou o chamado “modelo chinês” de governação.

Um problema central, disse Tao, é o monopólio estatal sobre a oferta de terrenos, que se tornou uma importante fonte de receita para os governos locais, acumulando receitas significativas através da concessão de terrenos, ao mesmo tempo que aumentaram fortemente o seu endividamento.

No entanto, grande parte desses fundos foi canalizada para infraestruturas “desperdiçadoras ou sobredimensionadas”, descreveu.

O setor imobiliário do país, durante muito tempo um pilar do crescimento, encontra-se agora sob pressão, com Tao a apontar para a fraca procura e a incerteza quanto ao valor futuro dos imóveis, apesar dos preços elevados.

“Agora a bolha imobiliária está a rebentar, ninguém quer comprar”, descreveu.

Como possível solução, Tao propôs flexibilizar as restrições para permitir que indivíduos comprem diretamente terrenos ao Estado para construir habitação própria, o que, segundo o professor, poderia estimular a procura interna e reter capital.

Estas reformas poderiam aumentar o crescimento económico em cerca de 1,5% ao ano durante os próximos cinco a dez anos, acrescentou.

Apesar dos desafios, Tao afirmou que a China tem demonstrado capacidade de adaptação, apontando para o crescimento de plataformas digitais como a empresa de comércio eletrónico, Alibaba, e a plataforma de transporte Didi, que criaram emprego e reduziram o custo de vida.

Ainda assim, advertiu que a transição para um modelo de crescimento mais sustentável e inclusivo exigirá o desmantelamento de monopólios enraizados e um reequilíbrio do papel do Estado.

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