Governo bloqueia centro interpretativo do 25 de Abril e converte comemorações em ‘homenagem ao teatro’. Tensão sobre memória da Revolução, novos livros sobre história e papel das mulheres na ciência, destaques literários e culturais.
Isto é tudo um grande exagero - Expresso
Isto é tudo um grande exagero
24 de abril hoje, amanhã 25. E há alguns livros que recordam esse Abril de 1974. Como a“Brevíssima História da Revolução dos Cravos”, de Luís Nuno Rodrigues, que acabou de sair pela Tinta-da-China – uma síntese do dia em que se derrubou a mais longa ditadura da Europa. Ou como“Em Torno de Abril – 25 anos que mudaram Portugal, 1961-1986", de José Miguel Sardica, lançado agora pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, oferecendo um olhar que abrange desde a guerra em África até à entrada na CEE.Ainda não se escreveram livros sobre isto, mas há também o Governo, em 2026, que além de ter bloqueado a criação de um centro interpretativo sobreo 25 de Abril, transformou o histórico dia dos cravos numa “homenagem ao teatro” emSão Bento. A Câmara de Lisboa e a EGEAC seguem-lhe os passos, celebrando as “festas da primavera”. De repente,assistimos a uma atenuação da linguagem, como se falar de revolução, de regime ditatorial – militares, guerra, fome, mortes, analfabetismo endémico, perseguição, censura generalizada, prisões - edo que se lhe opôse nos deu o Portugal que temos hoje fosse ‘demasiado’. Um exagero.
Mas a História é sempre, para alguns, um exagero. Também em abril, da antiga editora deciênciado “The New York Times” e finalista de um Pulitzer,DavaSobel, chega-nos“Os Elementos de Marie Curie”, lançado pela Temas e Debates. E o que se conta é a vida de uma mulher polaca, a mais nova de cinco irmãos, a quem teria sido impossível continuar os estudos na sua Varsóvia natal, e que acabou fazendo-o em Paris chamada pela irmã mais velha que para aí tinha emigrado.Aos 24 anos, chegou à capital francesa e matriculou-se na Faculdade de Ciências da Sorbonne - “uma de apenas vinte e três mulheres, entre perto de dois mil homens, a fazê-lo”, diz a autora.Conheceu Pierre Curie, um jovem físico, alto, de 35 anos (mais oito do que ela) e assim começa a história de amor que deu à luz duas filhas e vários prémios Nobel.O volume incide sobre esta vida enquanto capaz de influenciar muitas outras. Por isso, dá-nos a conhecero grupo de 45 mulheres cientistas que trabalharam no laboratório dos Curie. Vindas de todo o mundo no início do século XX, levaram para os seus próprios países métodos de trabalho, ideias e conhecimento que ali desenvolveram. Falamos de Harriet Brooks, do Canadá, ou de Ellen Gleditsch, da Noruega; das francesas Lucie Blanquies, Suzanne Veil ou Léonie Razet, da inglesa Sybil Leslie, da russo-polaca Jadwiga Szmidt, da alemã Margarethe von Wrangell; da propria filha Irène Curie, que também recebeu um Nobel, entre muitas outras.
O saber cria comunidades – os livros também. Em“Elogio da Leitura”, reeditado pela Guerra & Paz,Marcel Proustescreve: “Da pura solidão, o espírito preguiçoso não poderia tirar nada, uma vez que, por si só, é incapaz de desencadear a sua atividade criativa. (…) O que é necessário, portanto, é uma intervenção que, embora provenha de outra pessoa, se produza no fundo de nós mesmos, ou seja, o impulso de outro espírito, mas recebido no seio da solidão. Ora, vimos que era justamente aí que residia a definição de leitura, e que a nada mais senão à leitura respeitava. A única disciplina que pode, por conseguinte, exercer uma influência favorável sobre tais espíritos é a leitura: eis o que era necessário demonstrar, como dizem os geómetras.”
Na solidão ativa e fértil da leitura, quem visitar“Do Palito à Perdiz – sobre a mesa muito se diz”, de Paulo Moreiras, publicado pela Casa das Letras, poderá soltar uma gargalhada cúmplice. São “curiosidades dagastronomiaportuguesa”, escritas com humor e (quase) devoção, começando mesmo pelo palito – o título não mente -, ferramenta que já os pré-históricos usavam, que os romanos cunharam como ‘dentiscalpium’ e que na Beira Baixa se diziam ‘gravatinhos’. Parece que entrou na língua portuguesa “por via do castelhano”, explica o autor, sendo de 1706 a primeira presença escrita deste utensílio, cuja capital, se tinha uma, era Lorvão, no concelho de Penacova.Aguçado o apetite?Na História (esse exagero) houve quem envenenasse outros mediante um simples palito. O livro vai por aí fora, detendo-se nas morcelas, nas favas, nos tremoços, nas ginjas, nas solenes perdizes – cujos machos por vezes se desentendem na época do acasalamento, dando início a lutas um tanto violentas.
FICÇÃO“Pão de Anjos”, dePattiSmith (Quetzal)Com tradução de João Pedro Vala, um livro dememóriasque começa assim: “A caneta rabisca na página ‘bossa rebelde bossa rebelde bossa rebelde’. Que significam estas palavras, pergunta a caneta. Não sei, responde o punho.”“A Morsa – Contos de Inocência e de Violência”, de Ana Cláudia Santos (Companhia das Letras)Contos publicados em 2022,nesta ediçãoenriquecidas por “três ficções e uma fantasmagoria”, sobre os quais a também contista Luísa Costa Gomes refere terem “um caroço de individualidade tão denso que pode ser explosivo, mas nunca chega a explodir”.“V.”, de ThomasPynchon(Bertrand)Romance finalista do National Book Award e já um clássico, publicado pela primeira vez em 1961, traz-nos a genialidade do autor norte-americano.
NÃO-FICÇÃO“História Concisa dos EUA”, de Don Watson (Casa das Letras)Os olhos do mundo estão virados para este país e compreender a sua História torna-se urgente. O historiador Don Watson, australiano, propõe contá-la abarcando 250 anos, da declaração da independência ao Maga.“Império, Mito e Miopia. Moçambique como Invenção Literária”, de FranciscoNoa(Caminho)“O imaginário dominantemente representado pela literatura colonial ainda subsiste e leva-nos a considerar uma colonialidade que persiste, onde se reconhecem posturas e discursos retrocoloniais, e em que o ranço de um passado histórico ainda por exorcizar povoa todo um imaginário aquém e além das representações literárias. O presente que hoje vivemos, nesta contemporaneidade difusa, desequilibrada e convulsiva , não faz mais do que confirmá-lo”, diz-nos o autor.“O Diabo Está nos Detalhes”, deLeïlaSlimani (Alfaguara)Reflexões literárias, sociais e políticas de umaescritora consagradae que ocupam um lugar seminal no seu catálogo, lemos: “A literatura pode auscultar, sem rodeios e sem concessões, o que as nossas sociedades produzem de mais feio, de mais perigoso e de mais infame. Exige tempo num mundo onde tudo é rápido, onde a imagem e a emoção levam a melhor sobre a análise. Mas, para desempenhar plenamente o seu papel, tem de estar à altura de si própria e destes ideais.”E ficamos por aqui. Se tiver comentários ou sugestões não hesite em mandar paralleiderfarb@expresso.impresa.pt
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