Governo admitiu improviso no apagão ibérico; país sem plano de resposta nem meios técnicos SIRESP; implementação de novas medidas e reforço de resiliência prometidos, mas ainda incompletos; hospitais priorizados.
Leitão Amaro admite “improviso” do Governo no dia do apagão: “O país não tinha um plano de resposta”
Leitão Amaro admite “improviso” do Governo no dia do apagão: “O país não tinha um plano de resposta”
Leitão Amaro reconheceu também que, a 28 de abril de 2025, não existiam meios técnicos no Governo para que os ministros pudessem comunicar através da rede SIRESP. “Só depois disso é que recebemos terminais SIRESP”, afirmou.
O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, admitiu esta quinta-feira que no dia do apagão ibérico de 28 de abril de 2025 o Governo agiu de “improviso”. “O país não tinha, naquela altura, um plano deresposta, coordenação e comunicação para um evento deste tipo.Não existia. E um país organizado e prevenido deve tê-lo. Isso ficou patente:não tínhamos esse planeamento de coordenação política e de resposta à crise no dia do apagão”, disse o governante na última audição do grupo de trabalho sobre o apagão, criado pelo Parlamento.
Ainda assim, o ministro atestou que “a reação do Governo foi imediata, sem que existisse esse planeamento do país para um evento desta dimensão e destas características, procurando dar prioridade ao apoio, ao socorro e à continuidade nos serviços, a começar pela saúde”.
“Não há dúvida nenhuma que a nossa prioridade foipara os hospitais, onde pessoas dependiam da continuidade dos serviços para sobreviver, desde bebés em incubadoras a pessoas ventiladas”, disse aos deputados. O ministro revelou que as situações mais graves de eventual quebra de energia elétrica por falta de combustível nos geradores de reserva foram reportadas pelos hospitais São José, Dona Estefânia e pela maternidade Alfredo da Costa, tendo o Governo ativado todos os planos possíveis para resolver o problema.
Além disso, Leitão Amaro reconheceu também que não existiamos meios técnicos dentro do Governo, para todos os ministros poderem comunicar via rede SIRESP. “Só depois disto é que recebemos terminais SIRESP, porque antes não existiam nas secretarias gerais do Governo. Durante a tempestade Kristin, já foramutilizados, porque se tinha aprendido a lição de que essa ferramenta é necessária”, relatou, dizendo que no plano PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, que será apresentado na próxima semana, está “assumida a necessidade de reforçar a resiliência de qualquer dessas duas redes, quer a da rádio, quer a de comunicações móveis”.
Ainda relativamente ao SIRESP, Leitão Amaro disse que foi criada uma equipa de trabalho que já entregou relatórios sobre as necessidades de melhoria. O ministro da Presidência considera que “há margem para melhorar e há lições a aprender sobre coisas que podiam ter corrido melhor”, admitindo que “quantoà comunicação à população, o SMS da Proteção Civil chegou mais tarde do que era desejável”.
Face a este contexto, António Leitão Amaro disse quea partir do primeiro dia, a seguir ao apagão, o executivo lançou-se “num trabalho de aprendizagem de lições” e criou “oCentro de Operação e Resposta do Governo, que é uma estrutura e um manual de procedimentos para coordenação e comunicação política em momentos de crise que, infelizmente, a 28 de janeiro de 2026, voltou a ser muito útil para acompanhar desde as primeiras horas da madrugada a resposta aum evento também historicamente grave”. O ministro reconhece que nessa altura o Governo já tinha outro grau de preparação, “mas o país precisa de fazer mais e, por isso, na próxima semana vai ser apresentado o programa de transformação, recuperação e resiliência, para que o país esteja preparado paraeventos stressantes que nós não conseguimos evitar”. Leitão Amaro garante que “haverá dinheiro para o fazer”.
Sobre as conclusões do Grupo Técnico de Acompanhamento ao apagão, Leitão Amaro prometeu novidades para breve. Já quanto às centrais com capacidade de arranque autónomo, o ministro da Presidência sublinhou que “foram anunciadas medidas para a resiliência da rede e para o reforço doblack start, porque o que existia não era suficiente”.
No que diz respeito à ativação da Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), no dia 28 de abril de 2025, o ministro garantiu que esta rede estava a funcionar durante a tarde do apagão. “Às primeiras horas da tarde, em articulação com a Proteção Civil — responsável pela gestão dos fluxos de abastecimento às instituições prioritárias —, ativámos o processo de forma a garantir o acesso a instalações críticas. Ainda assim, identificámos alguns serviços que não estão abrangidos pelo fornecimento da rede de emergência, como as operadoras de telecomunicações, por exemplo”, explicou.
Em relação àestratégia nacional de proteção das infraestruturas críticas, garantiu que está em fase final e deverá ser aprovada pouco tempo depois da aprovação do PTRR.
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