Crises energéticas recentes evidenciam urgência da transição verde; conferência aponta integração europeia e energias renováveis como solução para soberania, competitividade e segurança energética, destacando potencial da Península Ibérica.

Crises energéticas reforçam importância de continuar a transição verde - Expresso

Crises energéticas reforçam importância de continuar a transição verde

Conflitos na Ucrânia e no Irão alimentam a instabilidade geopolítica que, defendem os especialistas, só pode ser combatida com maior aposta na produção renovável e em maior soberania energética. Esta foi uma das conclusões da conferência “Energia: que futuro para a Europa?”, organizada esta tarde pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e a que o Expresso se associou comomedia partner

“Estamos agora no meio de uma crise energética mundial. Hoje é claro que este conflito com o Irão não está perto de terminar, e isso pode gerar sérias dificuldades”. Esta foi uma das primeiras frases deConstanze Stelzenmüller, diretora do Centro de Estudos sobre EUA e Europa, da Brookings Institution. A também coautora do estudo sobre otrilema europeu e a transição energética acredita que o problema do bloqueio do estreito de Ormuz, no Médio Oriente, é mais um alerta de que a Europa deve manter adescarbonizaçãocomo prioridade. “Temos de repensara independência energética da Europa e a resiliência do seu sistema energético”, avisa.

O documento, produzido pela Brookings,em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), identifica alguns dos desafios da transição e aponta a integração do sistema energético europeu comosoluçãopara o trilema - segurança do abastecimento, acessibilidade e metas climáticas.Samantha Gross, diretora da Iniciativa sobre Segurança Energética e Clima daquela organização americana, e coautora do estudo, lembra que “oaumento da procura de energia não é um bug da transição energética”, mas “uma característica” e algo que se vai manter.

Para as especialistas, a energia com origem renovável é parte da resposta a este aumento do consumo, mas também uma oportunidade parareduzira dependência externa da Europa e fortalecer a competitividade do velho continente, nomeadamente nas atividadesindustriais. “A integração do sistema energético é uma clara vitória para a Europa nas três vertentes de acessibilidade, segurança e clima. E a infraestrutura é a chave para isto tudo”, reforçaSamantha Gross.

Este foi um dos temas centrais da conferência, onde participaram ainda Fátima Barros (FFMS), Gonzalo Escribano (Real Instituto Elcano), João Abel Peças Lopes (INESC-TEC), Bruno Cardoso Reis (ISCTE), Isabel Grilo (ECFIN) e Ed Conway (jornalista e autor).

Conheça abaixo as principais conclusões.

Península Ibérica tem “oportunidade única”

Apesar de ser apontada como uma ilha energética, por falta de interligações com o resto daEuropa, a Península Ibérica é rica em recursos naturais essenciais para a produção renovável. E para Gonzalo Escribano isso significa que “há uma oportunidade única para liderarmos uma revolução industrial”.

Em causa estão industrias com grandes consumos energéticos para quem, cada vez mais, a energia verde significa menos emissões, mais segurança de abastecimento e menos custos. “Se formos capazes, na Ibéria, de fornecer essa energia de fontes renováveis somos muito competitivos porque conseguimos fazê-lo a um preço mais baixo”, concorda João Abel Peças Lopes.

O especialista considera que a interligação do sistema energético com o resto da Europa pode trazer vantagens, e acredita que, depois do apagão de há um ano, tanto Portugal como Espanha são hoje mais resilientes a possíveis falhas. “Acredito que um problema semelhante não provocaria um apagão como o que aconteceu”, diz.

Para Isabel Grilo, as sucessivas crises energéticas demonstram que “a direção que definimos [na Europa] está correta e que é desta transição energética que precisamos”. Sobre os apoios da União Europeia a consumidores e empresas, a diretora da Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia defende que devem ser “temporários” e “dirigidos” para proteger a economia. “Temos de olhar para os consumidores mais vulneráveis e sectores mais expostos”.

Sobre a instabilidade, os especialistas parecem concordar que veio para ficar e que é difícil antecipar uma mudança na direção da geopolítica mundial mesmo num cenário pós-Trump. “Os EUA são um poder revisionista agora. Costumavam ser o defensor de uma ordem global (…), mas claramente essa já não é a realidade com a administração Trump”, reconhece Bruno Cardoso Pires.

“Temos de continuar com a transição energética”, complementaConstanze Stelzenmüller, que vê neste caminho uma forma de diminuir a dependência externa da Europa.

No encerramento, o jornalista Ed Conway, que assina o livro “Material World”, lembrou a importância do mundo - e em particular da Europa -voltar a olhar para o impacto dos materiais e do que é físico, numa altura em que a desmaterialização parece ser a norma. “Temos de pensar na economia como estando assente em pilares fundamentais que são as coisas materiais, físicas”, assinala.

É por isso, acredita, que as crises energéticas causadas pela guerra na Ucrânia e agora pelo conflito no Médio Oriente são “um alerta importante” para o peso do que é físico, como o petróleo, tem nas economias e na geopolítica. “O sal é a base para muitas coisas no sector químico. Hoje, 90% dos produtos farmacêuticos derivam de químicos que precisam do sal para existir”, exemplifica.

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Ligações europeias são cruciais para ter energia mais barata e verde

Ligar a Europa passa pela Península Ibérica

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Apesar de ser apontada como uma ilha energética, por falta de interligações com o resto da

, a Península Ibérica é rica em recursos naturais essenciais para a produção renovável. E para Gonzalo Escribano isso significa que “há uma oportunidade única para liderarmos uma revolução industrial”.

Em causa estão industrias com grandes consumos energéticos para quem, cada vez mais, a energia verde significa menos emissões, mais segurança de abastecimento e menos custos. "

Se formos capazes, na Ibéria, de fornecer essa energia de fontes renováveis somos muito competitivos porque conseguimos fazê-lo a um preço mais baixo", concorda João Abel Peças Lopes.

O especialista considera que a interligação do sistema energético com o resto da Europa pode trazer vantagens, e acredita que, depois do apagão de há um ano, tanto Portugal como Espanha são hoje mais resilientes a possíveis falhas. "

Acredito que um problema semelhante não provocaria um apagão como o que aconteceu", diz.

Para Isabel Grilo, as sucessivas crises energéticas demonstram que “a direção que definimos [na Europa] está correta e que é desta transição energética que precisamos”. Sobre os apoios da União Europeia a consumidores e empresas, a d

iretora da Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia defende que devem ser “temporários” e “dirigidos” para proteger a economia. "

Temos de olhar para os consumidores mais vulneráveis e sectores mais expostos".

Sobre a instabilidade, os especialistas parecem concordar que veio para ficar e que é difícil antecipar uma mudança na direção da geopolítica mundial mesmo num cenário pós-Trump. "

Os EUA são um poder revisionista agora. Costumavam ser o defensor de uma ordem global (…), mas claramente essa já não é a realidade com a administração Trump", reconhece Bruno Cardoso Pires.

ontinuar com a transição energética", complementa

Constanze Stelzenmüller, que vê neste caminho uma forma de diminuir a dependência externa da Europa.

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voltar a olhar para o impacto dos materiais e do que é físico, numa altura em que a desmaterialização parece ser a norma. "

Temos de pensar na economia como estando assente em pilares fundamentais que são as coisas materiais, físicas", assinala.

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