Paquistão media prolongamento do cessar-fogo entre EUA e Irão; Trump suspende ataque até proposta unificada iraniana. Tensão permanece no Estreito de Ormuz. Outros temas: clima, disputas políticas, casos judiciais, cultura.
O surpreendente adulto na sala - Expresso
O surpreendente adulto na sala
Bom dia,O mesmo país onde Osama Bin Laden se escondeu depois dos atentados do 11 de setembro e que era visto como um Estado meio pária pela generalidade do mundo ocidental,é agora o adulto na salaque conseguiu o prolongamento do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão quando o reacender da guerra parecia inevitável.A poucas horas do fim da trégua, e depois de ter passado o dia a dizer que não prolongaria o cessar fogo e a dar sinais de que iria retomar os bombardeamentos contra o país liderado pelo regime dos aiatolas, Donald Trump,assumiuque “tendo em conta que o Governo do Irão se encontra gravemente dividido” e a“pedido do Marechal de Campo Asim Munir e do Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif, do Paquistão” iriasuspender o “ataque ao Irãoaté que os seus líderes e representantes apresentem uma proposta unificada”.Sharif, filho de um clã político da elite paquistanesa, já esteve preso por suspeitas de corrupção e é descrito pelaimprensado Médio Oriente comoum “can-do”, um fazedor.Tanto trata o Irão como um “país irmão”, como é implacável com os talibãs do Afeganistão, ganhando assim o respeito de Washington. “Espero sinceramente que ambas as partes continuem a respeitar o cessar-fogo e consigam chegar a um Acordo de Paz abrangente com vista a pôr fim de forma definitiva ao conflito",declarouna rede social X.Mas a falta de um prazo concreto para retomar as negociaçõesque estavam previstas para esta quarta-feira na capital do Paquistão e o facto de Trump manter o bloqueio ao Estreito de Ormuz e a prontidão das forças armadas não permitem mais do que uma breve respiração de alívio. Estará Trump apenas a ganhar tempo?Poderá atacar de surpresa no decorrer do cessar-fogo?O regime iraniano agora liderado por Mojtaba Khamenei, tão radical como o pai morto durante os bombardeamentos americanos que deram início a esta guerra enquanto decorriam negociações,teme mais capitular do que parecer beligerante.Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, garante que “nas últimas duas semanas” Teerão “preparou-se para jogar novas cartas no campo de batalha”.Um conselheiro deste responsável iraniano, Mahdi Mohammadi, diz mesmo que “o prolongamento das tréguas é certamente uma manobra para ganhar tempo para um ataque surpresa”. E ochefe da força aeroespacial da Guarda Revolucionária avisou os países vizinhos de que terão de “dizer adeus à produção de petróleo no Médio Oriente” se ocorrer uma nova série de ataques.O embaixador iraniano na ONU,Ali Bahreini, faz depender um eventual acordo de paz do fim do bloqueio do estreito por onde passa, ou passava, 13 % do petróleo comercializado em todo o mundo. Trump já disse que não, afirmando que o Irão quer o Estreito de Ormuz aberto para poder “ganhar 500 milhões de dólares por dia”.Com interlocutores desta natureza,talvez seja demasiado otimista esperar que o avisado Sharif consiga um acordoduradouro que lhe valeria o lugar na história que parece perseguir.
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